O que podemos aprender com o caso Will Smith?

*David Braga

 

A entrega do Oscar ocorrido neste último domingo (27/03) ficou marcado não apenas pelos inúmeros vestidos de renomados estilistas globais no glamouroso red carpet, mas também por uma cena que nos traz algumas reflexões aplicáveis não apenas no âmbito pessoal, mas também profissional. O ganhador do Oscar de Melhor Ator, no papel em “King Richard: para além do jogo”, Will Smith, quinto homem negro na história a ganhar o prêmio, deu um tapa no comediante Chris Rock, após este fazer um comentário inapropriado a respeito de sua esposa, Jada Smith, que tem alopecia, uma doença autoimune que resulta muitas vezes, na queda dos cabelos.

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Em um mundo digitalizado como estamos, em questão de segundos, o vídeo já estava viralizado nas redes sociais e nas principais manchetes de portais, com opiniões polarizadas sobre o fato. E que jogue a primeira pedra quem nunca perdeu a cabeça, com aquele colega de trabalho, amigos ou mesmo familiares; não é verdade? Uma coisa é certa: sempre seremos julgados por aqueles que nos rodeiam. E é preciso constantemente gerenciarmos qual imagem estamos projetando, afinal isso afeta nossa credibilidade.

Da mesma forma que faltou empatia e bom senso do comediante Chris Rock ao fazer uma piada vexatória de Jada Smith, Will Smith encenou um papel que mostrou sua falta de controle emocional, culminando em uma agressão física. Evidentemente precisamos ser empáticos e entender que o processo para quem vivencia a alopecia afeta diretamente sua autoestima e, consequentemente, pode abalar as emoções do ciclo familiar, ou seja, o comentário de Chris Rock foi a pólvora para que Will Smith explodisse.

Trazendo este caso como exemplo, podemos refletir sobre o ambiente corporativo das empresas. Com estruturas que adotam cada vez mais políticas internas de diversidade em seus variados pilares, o ambiente é sempre propício para conflitos, uma vez que existem pessoas com culturas, repertórios, idades e contextos muitas vezes distintos, sendo necessária muita cautela, pois ter uma reação intempestiva e irritada pode afetar sua imagem perante líderes, liderados, pares e até mesmo clientes; e consequentemente, na sua empregabilidade.

Em alguns momentos, a melhor forma de manter a calma é se afastar de determinadas situações ou mesmo pessoas, mas nem sempre temos este tempo disponível, como foi o caso de Will Smith. Nos dar esta pausa, nos permite perceber a situação com mais clareza e racionalidade, que quando perdidas, ficamos mais reativos e suscetíveis aos nossos impulsos, tendo menos controle, chancelando o ditado que diz que “quem te irrita, te domina”.

Controle emocional é vital para aqueles que desejam ter uma vida mais equilibrada. Sendo assim, você não deve apenas sair do problema e dar um tempo, mas, sim, esperar a hora certa, com sabedoria, e se posicionar com aquela pessoa que teve uma postura inadequada com você. Sentar e conversar para esclarecer os pontos de divergência de forma transparente, educada e assertiva, pode ajudar na construção de uma relação mais saudável. E a todo momento precisamos fazer isso: equacionar as relações.

O ser humano é um ser complexo e com reações adversas, mas saiba que o melhor caminho é sempre usar a comunicação como ferramenta positiva para a construção de relações profícuas e duradoras, com respeito. Se toda vez que formos irritados ou contrariados partirmos para a agressão (verbal ou física), podemos voltar à era medieval. Vivemos em sociedade, logo tudo o que falamos ou fazemos, reverbera de alguma forma. Dentro das empresas, profissionais de todos os níveis, do estagiário ao presidente, são demitidos e trocados, em sua grande maioria, não porque apresentam problemas técnicos ou de conhecimento, mas porque as tão faladas soft skills, também conhecidas como competências e habilidades, não estão em níveis adequados.

Lidamos com constantes mudanças, ambientes estressantes, cobranças por menores prazos e clientes cada vez mais ansiosos, ter controle emocional é fundamental para quem quer ser relevante no mercado de trabalho. A todo momento, vivenciamos a pressão e a competitividade na vida pessoal ou profissional, sendo preciso saber lidar com as emoções diante das adversidades, evitando perder o equilíbrio, afinal este é um diferencial fundamental de pessoas bem-sucedidas.

Daí a importância da inteligência emocional, que é a capacidade de perceber e interpretar os próprios sentimentos e os das pessoas que fazem parte do nosso convívio. Carisma, persuasão, facilidade para ouvir, organização, entusiasmo, decisão e paciência são algumas características que denotam um nível mais elevado de inteligência emocional e que sempre tem sido buscado pelas empresas. Também destaco a empatia, ou seja, a capacidade de entender as emoções do outro e se colocar no lugar dele de forma genuína.

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E já que abordamos tanto sobre legado, diversidade, propósito, tecnologias e conhecimentos, qual impacto temos gerado com nossas ações e falas? Somos percebidos como pessoas e profissionais ponderados, mesmo diante das adversidades? Se queremos de fato ter um mundo melhor, são essas pequenas ações que devem fazer parte de nossas reflexões.

*David Braga é CEO, board advisor e headhunter da Prime Talent Executive Search. É também Conselheiro de Administração pela Fundação Dom Cabral (FDC) e professor convidado pela mesma instituição. Ele é autor do livro “Contratado ou Demitido – só depende de você” e atua, ainda, como conselheiro da ONG ChildFund, da ACMinas e da Associação Brasileira de Recursos Humanos de Minas Gerais (ABRH-MG). Instagram: @davidbraga | @prime.talent.

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