Documentário interativo “A Colônia Luxemburguesa” e exposição transmídia são destaque do Festival Brasil-Luxemburgo

A partir de 4 de março, sexta-feira, o público de todo Brasil pode viajar pela história cultural e comercial das relações entre Minas e Luxemburgo pela plataforma digital (www.colonia.lu). Um dia antes, na quinta (3.02), com exclusividade, os mineiros têm acesso a esse percurso, por meio de um quiosque de aço instalado no jardim do Palácio da Liberdade (Belo Horizonte). O espaço intitulado [L]AÇO – referência à siderurgia, ao afeto e à memória – abrigará na data, de 9h às 16h, uma exposição transmídia gratuita (ingressos no Sympla), com iPads que conectam, de maneira interativa, ao documentário “A Colônia Luxemburguesa”. O filme foi dirigido pela historiadora Dominique Santana (LUX) e produzido pela Samsa Film – maior produtora cinematográfica de Luxemburgo, com mais de 50 prêmios internacionais, dentre eles, três indicações ao Oscar em 2021, Cannes e sucessos emplacados na Netflix, como a aclamada série  intitulada, no Brasil, Os segredos de Manscheid.  O evento em Belo Horizonte marca a abertura da 1ª edição do Festival Brasil-Luxemburgo.

 

E o Festival continua de 9 de março até outubro de 2022, em João Monlevade (MG) – símbolo da siderurgia em Minas, com grande influência luxemburguesa. A localidade recebe exposição de fotografias históricas sob curadoria de Clarice Fonseca, que também assina a produção do evento. A artista plástica Brasileira-luxemburguesa Joanna Scharlé expõe, na Prefeitura da cidade, uma série inédita com recorte na produção mais recente de Joanna, mesclando pintura em acrílica, nankin e telas produzidas com técnica mista. Serão no total 15 obras em diferentes formatos. Além de Belo Horizonte, o quiosque de aço que carrega a exposição transmídia, também será montado na Praça do Povo, em João Monlevade (MG). Ao lado da estrutura, uma padaria produzirá, durante o Festival Brasil-Luxemburgo, o bolinho de carnaval – típico quitute da culinária luxemburguesa, com receita exclusiva desenvolvida pela embaixatriz Nicole Krieger. O Festival Brasil-Luxemburgo é realizado pelo Consulado Honorário de Luxemburgo em Minas Gerais, com apoio da Embaixada Luxemburguesa e da Secult – Secretaria de Cultura e Turismo de Minas Gerais. O casal de embaixadores estará presente em João Monlevade para a inauguração do [L]AÇO em 09 de março.

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“Nossa intenção é realizar um festival multicultural com foco na memória, na gastronomia e nas artes, que esteja pautado na histórica relação entre o Grão-Ducado de Luxemburgo e o Brasil. Nesta primeira edição vamos destacar a intrínseca relação entre Minas Gerais e Luxemburgo, passando pela história da Mineração e da Siderurgia e pela história dos descendentes de luxemburgueses que vivem em Minas Gerais há 100 anos. É uma celebração de todos os laços e semelhanças que ligam Luxemburgo e Brasil”, afirma Carlo Krieger, embaixador de Luxemburgo no Brasil.

Como primeira ação do festival, o secretário de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais, Leônidas Oliveira, lança no dia 26 de fevereiro, sábado, para imprensa e convidados, edital voltado para a produção artística mineira nas áreas do teatro, música, artesanato, cozinha mineira, cinema e audiovisual, no quiosque [L]AÇO montado no Palácio da Liberdade. Não por acaso, o evento acontece com transmissão ao vivo para Esch-Alzette, a segunda maior cidade de Luxemburgo que, na mesma data, será nomeada Capital Europeia da Cultura. O lançamento do edital será acompanhado de uma programação que se estende por toda manhã, com apresentação musical da Orquestra Sesiminas Musicoop, exposição transmídia e pré-estreia do documentário interativo “A Colônia Luxemburguesa”, no Belas Artes. Entre as presenças confirmadas, estão o Secretário Leônidas Oliveira, o Embaixador Carlo Krieger, Bernard Michaux – respeitado produtor luxemburguês responsável por capitanear a produtora Samsa Film -, e os diretores da Luxembourg Centre for Contemporary and Digital History (C2DH) da Universidade do Luxemburgo e do Centro nacional do audiovisual (CNA) do Luxemburgo, instituições que colaboraram para o projeto transmídia realizado durante a pesquisa de doutorado de Dominique Santana.

Segundo o secretário Leônidas Oliveira, o edital cultural para os artistas mineiros está em consonância com a proposta do Governo de Minas Gerais, de internacionalização da cultura e da arte produzida no Estado. “O objetivo é levar ao país e à comunidade Europeia, em 2022, – ano em que a cidade luxemburguesa de Esch será a capital europeia da cultura – artistas mineiros de diversas áreas, com o objetivo de promover capacitações e trocas de experiências. O intuito é valorizar a produção cultural e artística mineira e favorecer a ascensão de produtores culturais e artistas brasileiros na Europa e a divulgação de aspectos ainda desconhecidos da relação entre os países”, afirma.

 

A iniciativa foi selada no final de 2021, na presença do embaixador Carlo Krieger. “A cidade de Esch-Alzete – conhecida por sua terre rouge, com alta concentração do ferro, – carrega uma tradição industrial e siderúrgica como Minas. Hoje a cidade é um centro de inovação: local da universidade de Luxemburgo, dos centros de pesquisa e da sala de concertos, a Rockhal. Esta nova percepção da região como um destino turístico cultural atraente, com uma forte identidade regional e apelo internacional, vai além das fronteiras europeias. O Festival Brasil-Luxemburgo e o projeto ‘Colônia luxemburguesa’ em Minas Gerais afirmam os fortes laços entre Luxemburgo e Brasil. Ao mesmo tempo, é um lembrete de que a cultura fortalece nossos laços e nos une”, reforça.

A historiadora e diretora do documentário Dominique Santana, nascida em Luxemburgo, mas com raízes também brasileiras, conta que passou a infância nas terras vermelhas do sul luxemburguês. Durante as filmagens do documentário “A Colônia Luxemburguesa”, em novembro e dezembro de 2020, das oito cidades brasileiras visitadas, foi em Minas que a pesquisadora se sentiu mais em casa. “Uma experiência incrível. Além de João Monlevade possuir uma forte influência dos colonos luxemburgueses que vieram trabalhar na siderurgia, no século XX, tudo parecia familiar: aquela terra vermelha, a cidade industrial, as casas dos engenheiros, operários, o cassino, vários símbolos da minha infância, só que com um sol maravilhoso e um céu azul que aqui não há. Era uma versão mais montanhosa, tropical e brasileira do sul do Luxemburgo”, relata.

O documentário interativo e os quiosques [L]AÇO, que literalmente conectam as regiões mineiras do Brasil e do Luxemburgo, fazem parte da pesquisa de doutorado de Dominique em História Pública Digital – área ainda vista como vanguarda pela academia. Segundo a historiadora, a história pública digital utiliza a tecnologia e o diálogo entre diversas mídias como suporte para construir a história junto com a sociedade, tornando-a mais acessível e democrática. “Em vez de colocar minha pesquisa num livro, optei por torná-la mais próxima por meio de um documentário interativo”. Ela acrescenta que é importante empoderar as pessoas por meio da construção colaborativa. “Essa ideia de história como processo evolutivo, que pode também ser colaborativo, é um exercício bem inovador do ponto de vista acadêmico e historiográfico. Acredito muito nesse jeito de fazer história, com impacto na sociedade. A mágica acontece no contato direto com o público”.

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O documentário interativo pode ser visto na íntegra ou por capítulos e poderá ser acessado do quiosque L[AÇO], exclusivamente para os mineiros, somente no dia 3.03, quinta-feira, na cidade de Belo Horizonte, e a partir de 9.03, quarta-feira, em João Monlevade (MG). E em 4.03, sexta-feira, o documentário interativo estreia e fica disponível para todo Brasil pela plataforma www.colonia.lu. Durante a navegação, o público assiste a trechos da obra construída a partir de informações e arquivos fornecidos pelo Arquivo Público Mineiro, pela ArcelorMittal Brasil (antiga ARBED Belgo Mineira), pelo Museu de Imagem e Som e pelo CNA – Centro de Audiovisual de Luxemburgo,além de filmes e fotografias cedidos pelas famílias de colonos e de moradores de João Monlevade, nos anos 50.

“A colônia luxemburguesa não é um retrato fácil de fazer. Em vez de um manuscrito, preferi contar essa história por uma plataforma digital, pois permite explorar várias facetas e pontos de vista: o corporativo, o operário, o luxemburguês, o afetivo, o cultural, o familiar, como era ser uma mulher nessa colônia, como era ser criança”, contextualiza. De acordo com a pesquisadora, nesta proposta transmídia, o usuário constrói o próprio trajeto. “A medida que assiste a fragmentos da obra, a plataforma propõe perguntas ao visitante, que escolhe qual caminho quer explorar primeiro, por exemplo: sobre quem eram essas pessoas da época, como viviam, hábitos, etc. A experiência vivida é uma mistura entre filme e videogame, porque você interage. Não é aquela atitude passiva de público que fica sentado no sofá. Exige certo engajamento”, explica.

Além de trechos do documentário, é possível visitar também pela plataforma, um mapa interativo e animado de João Monlevade da década de 1950, com fotografias, filmes históricos, e ter acesso ainda a micro-histórias de alguns personagens que resgatam as memórias da colônia luxemburguesa, em Minas. “A proposta é construir uma obra coletiva. As pessoas podem inclusive acrescentar e editar o conteúdo. Por exemplo, quando aparece uma foto com dois personagens que nós da equipe não identificamos, o próprio usuário pode conhecer e adicionar a informação, seja no site www.colonia.lu ou presencialmente nas instalações do [L]AÇO. Tudo o que a gente conseguir juntar de imagens, dados e informações da época, trabalhando de forma colaborativa, vamos, aos poucos, avançando nesse patrimônio co-criado digitalmente”, afirma.

SERVIÇO

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1º FESTIVAL BRASIL-LUXEMBURGO

Belo Horizonte (MG) – 26 de fevereiro, sábado (evento para imprensa e convidados)

Local: CINE BELAS ARTES

9h30 – Pré-estreia do documentário interativo “A Colônia Luxemburguesa”

Local: QUIOSQUE [L]AÇO – Jardim do Palácio da Liberdade

12h – Inauguração do [L]AÇO e primeira conexão com seu [L]AÇO gêmeo em Esch-Belval (Luxemburgo) durante a cerimônia de abertura da Esch2022

12 – Abertura da exposição Transmídia no Quiosque [L]AÇO

 

Belo Horizonte (MG) – 3 de março, quinta (exclusivo e aberto ao público mineiro)

Local: QUIOSQUE [L]AÇO – Jardim do Palácio da Liberdade

 Gratuito mediante retirada de ingressos pelo Sympla.

Exposição Transmídia

 

Belo Horizonte – 4 de março, sexta (aberto a todo Brasil)

Local: pela plataforma do projeto A Colônia Luxemburguesa www.colonia.lu

 Gratuito

João Monlevade – 9 de março, quarta, a outubro de 2022 (aberto ao público)

Local: QUIOSQUE  [L]AÇO– Praça do Povo

Exposição Transmídia

Produção de bolinhos de Carnaval na padaria da Praça do Povo

Local: Prefeitura de João Monlevade (MG)

Exposição de Joana Scharlé

Gratuito

Por Redacao

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