Galeria de Artes do Minas II recebe a mostra “Dengos do Cotidiano”, de Ana Elisa Gonçalves e Juliana de Oliveira

A Galeria de Arte do Minas II recebe, entre 12 de maio e 12 de junho, a exposição “Dengos do Cotidiano”, das artistas Ana Elisa Gonçalves e Juliana de Oliveira. Composta por 22 telas em variados tamanhos, a mostra “contrapõe o olhar das duas artistas sobre seu entorno: da ancestralidade aos sonhos até a manifestação de feminilidades múltiplas. Da resistência à potência dentro desses atravessamentos”, explicam as artistas. A Galeria de Arte do Minas II fica na avenida dos Bandeirantes, 2.323, na Serra, e fica aberta de segunda a sexta-feira, das 6h às 22h; aos sábados, das 6h às 20h; e aos domingos e feriados, das 6h às 19h. O vídeo da visita virtual da mostra será exibido no canal oficial do Minas Tênis Clube no YouTube, no dia 6/4, às 18h.

O título “Dengos do Cotidiano” parte principalmente da relação de amizade entre as artistas. Para além do afeto, elas compartilham bandeiras e usam a arte para mostrá-las e defendê-las. “Meu trabalho fala sobre todas as questões de minorias, principalmente o racismo, a desigualdade social e a lgbtqia+fobia. Eu denuncio o racismo estrutural e falo sobre corpos que são marginalizados pela sociedade. Isso diz muito sobre minha vivencia”, conta Juliana. Já Ana Elisa diz que seu trabalho não levanta bandeiras, mas conta histórias. “Vejo em meu trabalho como a continuidade do exercício de contação de histórias, hábito herdado dos griôs e das griotes africanas. Histórias como as contadas pela minha mãe, que veio de uma comunidade pequena do Vale do Jequitinhonha-MG e sempre materializou essa memória usando o tecido de chita para enfeitar nosso lar, me interessam. Ou as histórias presentes nas relações, o carinho que percebo no cotidiano entre meus parentes e meus amigos. E as questões, acredito eu, surgem do desejo de não esquecer”, observa.

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As artistas, que são mulheres negras, afirmam que esse fato e as vivências dessa condição acabam por influenciar no trabalho. “Essa influência se dá tanto na obra quanto na maneira com que conduzimos nossas temáticas. As dificuldades que mulheres enfrentam para conseguirem expressar suas urgências através da linguagem já são muitas. Aqui no Brasil então… Enquanto mulheres negras, buscamos romper com a invisibilidade e a catalogação do nosso ser, para explorar a riqueza dos povos negros na contemporaneidade e tentar ser livre”, explica Ana Elisa. É nessa vivência que a arte das mulheres se completa. “A nossa arte converge primeiramente através de nossos corpos, para além dos espaços de formação em comum e das técnicas dos trabalhos. Cada uma, tanto individualmente quanto juntas, carrega na sua expressão de corpo no mundo, relações firmadas com as artes visuais e a cultura popular, por exemplo. Isso, certas vivências, é o que mais conversa”, relata Juliana.

“Dengos do Cotidiano” é uma exposição sobre afeto e a beleza deste sentimento. Dessa forma, as artistas desejam que o público, ao entrar na galeria, entrem num lugar bom, gostoso de ficar. “Gostaria que o público vivenciasse essa sensação de se sentir à vontade com nossas pinturas. A intenção da mostra é encher o espaço da galeria com corpos que falam sobre o dengo, sobre o carinho, o afeto e atenção que há entre nós. Desejamos que a exposição possa passar em um lugar bom”, conclui Ana Elisa.

Serviço

Exposição “Dengos do Cotidiano”, de Ana Elisa Gonçalves e Juliana de Oliveira.

Data: de 12 de maio a 12 de junho.
Local: av. dos Bandeirantes, 2.323, Serra, no Minas II.
Horário: de segunda a sexta, das 6h às 22h; aos sábados, das 6h às 20h; e aos domingos e feriados, das 6h às 19h.

Por Redacao

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