Endividamento das famílias de BH atinge recorde histórico

Segundo a Fecomércio MG, 88,6% dos consumidores possuem compromissos financeiros, como dívidas com cartões de crédito e financiamentos

O mês de outubro registrou um recorde no endividamento das famílias de Belo Horizonte. De acordo com a Fecomércio MG, o indicador expandiu 20,9 pontos percentuais (p.p) em relação ao mês de janeiro de 2021, alcançando 88,6% da população. O percentual também é o maior registrado pela série histórica, iniciada em 2014. Só na comparação com os dois últimos anos, o endividamento cresceu, respectivamente, 12 pontos e 18,3 pontos em outubro de 2019 e 2020.

 

Os dados compõem a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), elaborada pela Fecomércio MG, com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). A análise também mostra que o avanço do endividamento foi seguido pela quantidade de famílias inadimplentes, que alcançou o maior patamar no último ano (38,8%). Já o percentual de consumidores que não terão condições de quitar suas dívidas atingiu 16,5%.

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A realidade econômica do país é um dos fatores centrais para o cenário apontado pela pesquisa. “Um dos motivos principais para essa situação é o aumento da inflação, que afeta a aquisição de bens essenciais como alimentos, combustíveis e energia. Assim, as famílias procuram cada vez mais o crédito para seu consumo básico”, explica a economista da Fecomércio MG, Gabriela Martins.

 

A redução da renda, causada pela inflação e pelos altos índices de desemprego, agravam o momento para o consumidor. “Embora o mercado de trabalho tenha aquecido nos últimos meses, a maioria das vagas são informais, quase sempre seguidas por remunerações menores. O fim do auxílio emergencial, que neste ano foi menor que o oferecido no ano passado, expôs ainda mais as famílias de baixa renda”, avalia a economista da Federação.

 

A Peic apontou, ainda, que a principal modalidade de endividamento continua sendo o cartão de crédito (81,7%), seguido por carnês (24,7%); cheque especial (8,8%); financiamento de automóveis (7,8%) e financiamento de imóveis (6,1%). “Com a proximidade de datas como a Black Friday e o Natal, é preciso redobrar a atenção para que o uso dessas modalidades não torne um vilão do consumo e diminua o poder de compra em médio e longo prazos”, ressalta Gabriela.

 

Na capital, o endividamento representa até 50% da renda familiar em 77,5% dos casos. Contudo, atinge mais da metade do orçamento mensal para 21,5% dos entrevistados. Em média, o tempo de comprometimento da renda é pouco superior a seis meses e meio. Entre as famílias que possuem contas pendentes, 66,2% afirmaram que o período de atraso nos pagamentos é maior que 90 dias.

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Para elaborar a pesquisa de outubro, foram entrevistadas mil famílias residentes na capital mineira. A margem de erro da Peic, realizada nos últimos dez dias de setembro, é de 3,5%, e o nível de confiança é de 95%.

 

Por Redacao

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